Entrevista: Billy Gibbons, o homem por trás do fuzz do ZZ Top

Entrevista Billy Gibbons, TGBR # 27

Entrevista Billy Gibbons, parte integrante da Total Guitar #27

Texto: Amit Sharma / Fotografia: Joby Sessions

Faz quase cinco décadas que “aquela bandinha do Texas” começou a empurrar o blues para novas direções, soprando ares audazes na sempre confiável escala pentatônica.

Ainda assim, até hoje o guitarrista e líder do grupo, Billy Gibbons, continua a inovar, sempre procurando novas formas de fritar o amp e dar vida àquela sonoridade sulista pantanosa.

Nessa rara e exclusiva entrevista para a TG fomos convidados a encontrar o Sharp Dressed Man em pessoa, para ter um papo no qual ele revela os segredos por trás de alguns dos momentos mais arrepiantes da história do blues.

CULPE OS INGLESES

Billy explica as origens de tudo…
Essa é a minha oportunidade de enfatizar a importância, ou talvez colocar um pouco da culpa na Grã-Bretanha. De uma certa maneira, a grande expressão dessa arte americana conhecida como o blues recebeu uma forma de salvação pelo engajamento inesperado dos ingleses – que injetaram um pouco mais de potência e deram substância a uma maneira nova e recalibrada de apresentar o blues.

E, por causa disso, eu acho que ferocidade é definitivamente a palavra certa para descrever meu estilo! Acredito que estão misturados no meu som, provavelmente, fragmentos de Eric Clapton, Jeff Beck, Jimmy Page, Keith Richards, Mick Taylor, Peter Green e por aí vai.

VOODOO CHILD

Quem mais pode dizer que abriu pro Hendrix ainda na adolescência?
De forma nenhuma deixo Jimi Hendrix de fora das minhas tradições. Por ter recebido o bônus de me tornar amigo do Jimi quando me juntei à turnê do Experience, quando eu ainda tocava no The Moving Sidewalks [primeira banda de Gibbons], notei que fora do palco ele era, surpreendentemente, meio tímido. Você poderia achar que ele era alguém prestes a se aposentar… até que alguém colocava uma guitarra nas mãos dele.

Sob os holofotes do palco, era uma história completamente diferente. Ele se tornava um showman e um gênio pirotécnico na guitarra. Ele fazia algumas coisas com sua Fender Stratocaster que certamente quem a construiu nunca pensou ser possível. Sua genialidade fazia o invisível tornar-se instantaneamente visível.

Eu tirei muito daquelas noites e coloquei em prática desde os primeiros dias do ZZ Top até hoje. E você poderia se perguntar ‘e toda aquela zona no backstage?’. Mesmo assim, nada foi deixado de lado. Jimi fez com que o seletor de captadores fosse de três para cinco posições.

Foi ele quem descobriu o lance das posições intermediárias entre os captadores – ele me mostrou como tirar a tampa de proteção e remover a mola do seletor para acertar mais ou menos essas posições. Isso deixava o som mais quente. Não acho que ele tenha recebido os devidos créditos por isso… havia muitas nuances sobre Jimi – todas muito importantes para a forma como enxergamos a Stratocaster ou a guitarra no geral hoje em dia, a partir de suas técnicas.

VIVA LA REVOLUCIÓN

Por que a guitarra se tornou um fenômeno por si só na aurora dos anos 70?
Vamos começar com a pedra fundamental de tudo: a excelente linha de produtos que foi lançada pela Marshall. Quando você une a inventividade inesperada de Hendrix com o som maravilhosamente invocado dos amplificadores Marshall, tem-se aí um combo que reverbera ainda hoje.

Estive com meu amigo Eric Johnson em Austin recentemente, e tivemos esse bate papo com grandes guitarristas como Jimmie Vaughan, Van Wilks, Derek O’Brien, até Mike Flanagan, e acabamos conversando sobre como era – e aqui vem a palavra-chave de novo – invocado o som que a Marshall colocou em voga. Foi algo crucial.

MONSTROS DO TIMBRE

Billy nos apresenta alguns de seus favoritos do momento…
Ao longo dos anos fiz algumas descobertas fascinantes em termos de equipamento para mim. Atualmente estou usando o Magnatone Super Fifty-Nine para mandar um som encorpado.

Em estúdio, o Blackstar Artisan tem funcionado muito bem. Eles produzem uma ampla variedade de equipamentos, mas esse em particular é simples. É um combo básico de 15W com apenas um alto-falante, mas o sustain e a profundidade são impressionantes.

E, por mais estranho que pareça, há essa marca vinda de Valencia, de uma cidade costeira na Espanha, chamada Bigtone, com uma série de coisas interessantes. Entre elas, um amp de 22 Watts alimentado por válvulas EL34, e um de 50W que funciona tanto com válvulas EL34 como as 6L6. Esses amplificadores têm um som quente e expansivo… bastante parecido com o timbre que ouvimos naquelas famosas gravações de Eric Clapton com John Mayall no LP “Bluesbreakers”. Ouvi tantas vezes referências ao timbre singular desse disco… Até já conversei com Clapton sobre o assunto, e com um sorrisinho malandro ele falou ‘Foi apenas uma preferência pessoal – para ser sincero, foi só por acaso que alguém levou o Marshall [JTM 45] pro estúdio!’

Então sem ter muito mais o que fazer, eles foram em frente e gravaram com ele até o fim. Felizmente, o processo de gravação conseguiu registrar com fidelidade aquele som que hoje pode ser chamado de mágico. Eu não sei nem se mágico é a palavra certa, mas dá para sacar a ideia.

* Você lê essa entrevista na íntegra na edição #27 da revista Total Guitar Brasil. www.totalguitar.com.br